Em Outside

Mudamos!

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Oi, pessu!

Temos uma novidade para contar: nos mudamos. Deixamos Porto Alegre e o Apê 606 e voltamos para Alegrete, nossa terrinha. Tá ai o porquê da ausência de postagens nesse bloguxo.

No dia 30 de agosto, o Kauê (finalmente!!!!) se formou e no dia seguinte o caminhão da mudança já encostou no nosso prédio.


Tomar a decisão de voltar para o interior não foi nada fácil. Fizemos várias listas de prós e contras, discutimos bastante sobre o assunto e chegamos a conclusão de que Porto Alegre não era nosso lugar. Infelizmente, POA está muito violenta. Não tínhamos coragem de sair à noite com nossos amigos e estávamos sempre com medo por conta dos assaltos.

Isso sem contar o fato de que nosso apêzinho era alugado e o dindim estava ficando cada vez mais escasso.

Outra coisa que contou muito nessa situação foi nossa forte ligação com a família. Poder visitar quem amamos somente uma vez no mês era muito ruim. Percebi que ao longo dos anos que passei longe de Alegrete, perdi vários momentos com minha avó que está envelhecendo de forma rápida e com meus sobrinhos que crescem na velocidade da luz.

Porto Alegre e qualquer cidade grande oferecem uma ilusão gostosa que gostamos de acreditar: que ao morarmos lá vamos crescer e ser exatamente o que sonhamos. Fui pra POA cheia de sonhos, achei que nos primeiros meses já iria conseguir um emprego em alguma editora, mas... com a questão da política brasileira só declinar e os orçamentos dos editais para cultura só caírem, as editoras começaram a cortar recursos humanos por falta de verba. Tentei dar uma desviada no meu sonho: fui fazer pedagogia e enquanto estudava iria procurar emprego em uma agência de publicidade. Percebi que a pedagogia não era exatamente para mim, não naquele momento. As agências de publicidade exigiam uma caraiada de coisas que eu nem sabia que existiam. Com o desemprego, nossos sonhos de comprar um apartamento, de fazer alguns cursos privados, de comprar um carro e de poder viajar foram ficando cada vez mais longes de nós.

Assim, comecei a me sentir sufocada em uma cidade tão grande. O Kauê se sentia da mesma forma: alarmado, ansioso e sufocado.

Porto Alegre é uma cidade legal, várias feiras de rua, várias exposições, shows gratuitos, comidas de todos os tipos, mas percebemos que não existia nada que nos prendesse lá realmente. Muitos conhecidos e amigos nossos acham que voltar para Alegrete é retrocesso, mas para nós é um tantinho de paz. Aqui saímos com nossos amigos nos finais de semana, fazemos jantas, almoçamos na casa das nossas famílias e podemos ver quem amamos a qualquer hora do dia sem precisar viajar 8 horas em um ônibus.

E em relação ao nosso crescimento profissional em uma cidade do interior: se aqui não tiver oportunidades, inventaremos as oportunidades.









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